Sílvio
Antônio Narciso de Figueiredo Caldas nasceu em 1908, no bairro de
São Cristóvão, no Rio de Janeiro, numa família grande e musical.
O pai, Antônio Narciso Caldas, possuía uma pequena loja de
instrumentos, consertava e afinava pianos e era compositor (Orlando
Silva chegou a gravar uma valsa sua, "Neusa", em 1938). A
mãe, a avó e as tias cantavam no coro da igreja, nas festas e
quermesses. Um dos seus quinze irmãos, Murilo Caldas, três anos
mais velho, também se tornaria cantor, obtendo certo prestígio nos
anos 30.
Sílvio Caldas cresceu ouvindo música e cantando em festas
familiares e escolares. Sua primeira apresentação ocorreu aos seis
anos de idade, numa conferência no Teatro Fênix. À época, ele
já integrava um bloco carnavalesco chamado Família Ideal.
Parte da infância e a adolescência de Sílvio se dividiram entre
as diversões e alguns serviços. Seus pais lutavam com dificuldades
pela sobrevivência da família, e ele começou a trabalhar cedo –
aos nove anos, como auxiliar de mecânico. Depois, exerceu uma
série de atividades.
Em São Paulo, para onde foi tentar a sorte aos dezesseis anos, foi
lavador de automóveis e mecânico em diversas oficinas. Chegou a
trabalhar até na rodovia Rio-São Paulo, como motorista e
cozinheiro. E a ser leiteiro, depois, no estado do Rio. Entre um
serviço e outro, cantava e fazia boemia.
O
cantor Sílvio Caldas foi o maior responsável pela consolidação
da seresta na música popular brasileira, tendo contribuído para o
gênero também como compositor, nos anos 30. Por isso, ele se
tornou identificado como "O Seresteiro do Brasil",
epíteto ao qual se manteve fiel durante toda a sua longa carreira.
Como grande seresteiro, Sílvio Caldas cantou muitas valsas. Mas
também se mostrou, igualmente, um excepcional intérprete de
sambas. Nesse campo, suas interpretações marcadamente cadenciadas
fizeram do seu um canto inconfundível entre os outros de seu tempo
e de todos os tempos no país. A essa notável e irresistível
cadência, se somaram a clareza e o apuro na emissão da voz, para
caracterizar um estilo aperfeiçoado, de reconhecida brasilidade.
Por tudo isso, ele acabou sendo chamado de "O Poeta da
Voz" por Guilherme de Almeida (autor de uma obra poética de
notável musicalidade na poesia brasileira do século 20).
Embora amoroso, o lirismo de Sílvio Caldas recusava um romantismo
excessivamente derramado. Singelo, sua simplicidade estava de par
com um zelo técnico. Autêntico, nem por isso se prendeu ao
repertório de um único período ou de um único gênero.