 |
|
Nascido em
Salvador, passou a infância em Ituaçu, no
interior da Bahia, onde começou a se interessar
pela música das bandas da cidade e pelo que
ouvia no rádio, como Orlando Silva e Luiz
Gonzaga. Aos 9 anos muda-se para Salvador com a
irmã, para terminar o colégio, e começa a
aprender acordeom. Durante a juventude
intensifica os estudos musicais, formando aos 18
anos o conjunto Os Desafinados. No fim dos anos
50, João Gilberto se torna uma influência
importante para Gil, que passa a tocar violão.
Na faculdade, faz contato com a música erudita
contemporânea por meio do vanguardista grupo de
compositores da Bahia, que incluía Walter
Smétak e Hans Joachim Koellreuter. Em 1962 grava
o primeiro compacto solo ("Povo
Petroleiro" e "Coça Coça,
Lacerdinha"), e conhece Caetano Veloso,
Maria Bethânia e Gal Costa. No ano seguinte, com
a entrada de Tom Zé no grupo, fazem o show
"Nós, Por Exemplo", no Teatro Vila
Velha, em Salvador, que inaugura a carreira dos
quatro artistas. Logo em seguida Gilberto Gil se
muda para São Paulo, onde trabalha na empresa
Gessy-Lever durante o dia e freqüenta bares e
casas de show durante a noite. É nessa época
que conhece Chico Buarque, Torquato Neto e
Capinam. Começa a se tornar mais famoso no
programa de televisão O Fino da Bossa, comandado
por Elis Regina. Lá apresenta, entre outras,
suas composições "Eu Vim da Bahia" e
"Louvação". Com o sucesso, abandona o
emprego na Gessy-Lever e assina contrato com a
Philips, que lança seu primeiro LP,
"Louvação", em 1967. Já radicado no
Rio de Janeiro, Gil participa de festivais da
Record e da TV Rio e chega a ter seu próprio
programa na TV Excelsior, o Ensaio Geral.
Separado da primeira mulher, passa a viver com a
cantora Nana Caymmi, que defende "Bom
Dia" (parceria dos dois) no 3º Festival da
Record, em 1967. No mesmo festival Gil toca
"Domingo no Parque" acompanhado pelos
Mutantes, uma das músicas mais impactantes do
festival, classificada em segundo lugar.
"Alegria, Alegria", de Caetano Veloso,
classificada em quarto no mesmo festival,
formaria junto com "Domingo no Parque"
o embrião do movimento tropicalista, em boa
parte por causa da inserção de guitarras
elétricas em uma música que não era rock. Em
1968 lançou o LP "Gilberto Gil", dando
início ao Tropicalismo, e tendo ele e Caetano
Veloso como principais figuras. Com uma proposta
de antropofagia de valores culturais estrangeiros
baseada em idéias de Oswald de Andrade, o
tropicalismo se concretizou com "Tropicália
ou Panis et Circensis", disco que contou,
além de Caetano e Gil, com Os Mutantes, Torquato
Neto, Capinam, Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão e
arranjos do maestro Rogério Duprat. Em 1969 foi
preso pela ditadura militar, e lançou a irônica
"Aquele Abraço", uma de suas músicas
mais famosas. Em seguida partiu com Caetano para
o exílio na Inglaterra. Voltou em janeiro de
1972, para um show em que lançou músicas como
"Oriente" e "Back In Bahia",
do seu disco seguinte, "Expresso 2222".
Desde o final dos anos 60 Gilberto Gil se
consolidou como uma das mais criativas e
influentes personalidades da música brasileira.
Sempre em sintonia com o que ocorre de novo na
música mundial, seus discos são lançados em
diversos países e sua carreira internacional já
lhe rendeu inclusive um Grammy na categoria
Melhor Disco de World Music em 1998, pelo álbum
"Quanta Ao Vivo". Em 72, revitalizou a
cultura nordestina no LP "Expresso
2222", mais tarde, reviu a brejeirice
sertaneja em "Refazenda". Em 79, o
álbum "Realce" foi um divisor de
águas em sua carreira, quando começou a flertar
com o reggae e o pop. São desta fase ainda os
LPs "Luar", "Um Banda Um",
"Extra", "Raça Humana",
"Dia Dorim, Noite Neon" e "O
Eterno Deus Mu Dança". Sua atualidade pode
ser percebida por meio de seus discos, caso do
pioneiro CD "MTV/Unplugged" (1994), que
lançou uma verdadeira mania de discos acústicos
no Brasil, e de "Tropicalia 2" (ao lado
de Caetano Veloso), em que flerta com o rap na
faixa "Haiti". Entre os discos
"Quanta" e sua versão ao vivo,
"Quanta Gente Veio Ver", lançou, sem
maior publicidade, "O Sol de Oslo",
pelo selo Pau Brasil, ao lado dos músicos Marlui
Miranda, Rodolfo Stroeter, Bugge Wesseltoft e
Toninho Ferragutti. Em 2000 teve seu maior
sucesso radiofônico em vários anos com o xote
"Esperando na Janela", de Targino
Gondim, da trilha sonora do filme "Eu, Tu,
Eles", interpretada por Gil. No mesmo ano
iniciou parceria com Milton Nascimento,
cristalizada no disco "Gil e Milton".
Dentre seus muitos sucessos em mais de 35 anos de
carreira, os maiores foram "Preciso Aprender
a Só Ser", "Refazenda",
"Expresso 2222", "Eu Só Quero um
Xodó" (Dominguinhos/ Anastácia),
"Maracatu Atômico" (Jorge Mautner/
Nelson Jacobina), "Punk da Periferia",
"Parabolicamará",
"Bananeira" (com João Donato),
"Divino Maravilhoso" (com Caetano),
"Filhos de Gandhi", "Haiti"
(com Caetano), "Sítio do Pica-pau
Amarelo", "Soy Loco por Ti
America" (com Capinam), "Realce",
"Toda Menina Baiana",
"Drão", "Se Eu Quiser Falar com
Deus", "Estrela" e muitas outras.
Nos anos 80 foi vereador em Salvador e milita por
causas ecológicas no Partido Verde. Fonte: www.cliquemusic.com.br
|